10 tendências de consumo pós-covid

Bem-vindos ao marketing em tempos de covid. Sim, tudo o que você conhece de clássico precisa mudar. Entramos numa era de reformulação – ousaria dizer que de Revolução Digital. Fazer marketing como antes não faz mais sentido. Fazer logística como antes não terá os mesmos resultados. As estratégias precisam ser repensadas, e as táticas são ainda mais importantes agora.

Neste post, juntei 10 tendências para o futuro pós-covid, baseadas em artigos da Harvard Business Review, pesquisas do Instituto Akatu e do Morning Consult, além de outras influências, como resumo de palestras online promovidas pelo South by Southwest.

1. Quem dita as regras é o consumidor

Parece que é só contrário, não é? Mas quem faz as regras é o consumidor e não exatamente a indústria. O pensamento é simples: imagine que as pessoas mudam um simples hábito de consumo: o tempo de uso de cada produto. Com mais tempo entre a compra e o descarte, menos uma loja irá vender aquele mesmo produto. Esta simples ação tem um impacto enorme em diferentes cadeias produtivas.

Segundo o diretor presidente do Instituto Akatu, Helio Mattar, 25% da população consome cerca de 75% dos recursos da Terra. Uma conta que não fecha há um tempo e que já demonstrava sinais de mudanças, especialmente pelo consumo (compra, uso e descarte) consciente. A época de coronavírus veio como um catalisador dessa forma de pensar para os consumidores.

2. O poder do hábito – e a nova zona de conforto

Já ouviu falar que leva em torno de 28 dias para se criar um novo hábito? Estamos há pouco mais de 30 dias na quarentena, mas as previsões propõem temporadas de quarentenas intercaladas ao longo de dois anos. Imagine quantos hábitos isso irá mudar. 

No início, tanto pessoas quanto empresas pararam e não agiram. E isso é comum: entender o que está acontecendo e, só então, propor novas ações. Agora que estamos nos acostumando com tudo, novos hábitos estão se criando. As formas de comprar, socializar, demonstrar afeto e, especialmente, cuidar da saúde, mudaram totalmente. Como esses hábitos tendem a se prolongar, é natural que se tornem uma “nova zona de conforto” e parte da população os mantenham após a pandemia.

3. Se você não existe no digital, você não existe no mundo

Essa é uma frase que a gente, da Kizuna, repete há bastante tempo. Não ter presença digital – seja ela por um simples instagram ou um grande e-commerce, faz de você um anônimo para um público cada vez mais emergente em compras online. Agora, visualize essa situação num mundo que está vivendo praticamente de forma digital.

Comprar online deixou de ser apenas por comodidade e passou a ser por segurança. Investir em marketing digital AGORA vai ditar como será o rendimento do seu negócio daqui a meses, mas especialmente daqui a um ou dois anos, quando os novos hábitos ficarem ainda mais presentes.

4. Agir, além de reagir

Muitas empresas estão habituadas a apenas reagir quando acontece um problema interno ou quando um concorrente lança uma ação. E isso vem antes do covid. Agora, a reação se torna um movimento tardio. É preciso estar atento aos novos movimentos do consumidor, saber as suas demandas e tomar ações imediatas tanto para manter seu negócio quanto para projetá-lo a longo prazo. Sua visão precisa mudar.

5.  Dados para entender as novas dores do cliente

Falando nisso, agora, mais do que nunca, entender as dores do seu cliente se tornou fundamental. Segundo a pesquisa do Morning Consult, os consumidores estão mais preocupados em entender como as empresas têm se comportado nesse período – com seus empregados, produtos e cuidados de higiene – para saber com quem vão comprar.

“O que consumir” também mudou e ter dados é extremamente necessário para ter segurança de informação. As pessoas não se incomodam com publicidade, desde que elas possuam empatia, apoio a quem precisa e transparência. Além disso, consumidores passaram a comprar o mais simples, o mais necessário e o prioritário. É fundamental conseguir analisar a necessidade de consumo do seu cliente para sanar essa dor.

6. Não é consumir mais, mas consumir melhor

Mas e depois que tudo passar? A marca de luxo Hermès vendeu US$2,7 milhões em um único dia após a quarentena da China. Podemos esperar um boom de consumo após a quarentena? Não é bem por aí. O público chinês já é grande parte do consumidor de luxo no mundo (cerca de 40%). Mas em outro países, temos uma perspectiva diferente da economia – infelizmente não muito positiva. 

É provável que a população com maior poder aquisitivo tenha um forte momento de compras imediatamente após a quarentena (como uma espécie de alívio). Mas a crise financeira indica um tempo de recessão, o que vai prejudicar muito a população mais pobre e, consequentemente, afetar todas as classes.

Tendo isso em vista e já refletindo outras tendências que estão sendo catalisadas, é possível que haja uma reformulação na forma de consumir, com mais consciência econômica e ambiental.

7. Branding é mais importante que publicidade

Marcas fortes, com posicionamentos coerentes, terão mais força em meio ao período de crise. Isso serve para o público externo, mas especialmente para o público interno. É extremamente importante para as marcas revisitar suas visões, agir de acordo com seus valores e deixar claro qual é a missão da empresa para todos os parceiros.

Assim, tanto o time terá mais força na hora de produzir (por ter um norte a seguir), como o público perceberá que a empresa é coerente e continuará a apoiar sua lovemark.

>> Como criar mais força para a sua marca?

8. Comunidades são mais fortes

Estamos vendo uma grande movimentação da comunidade em prol uns dos outros: seja na doação de dinheiro ou em grandes estudos feitos por iniciativas privadas, seja no auxílio de voluntários a comunidades mais pobres. O fato de se manter em casa já é em virtude de um bem estar comunitário e não isolado. 

Esse sentimento de comunidade vai além da crise: as marcas que estão sabendo se comunicar com suas próprias comunidades, engajando-as em atividades, estando presente no digital, mostrando transparência, oferecendo suporte e fortalecendo laços terão benefícios a longo prazo. Tornarão seus consumidores mais fiéis e ainda mais engajados para o futuro.

9. Novos modelos de negócio estão por vir

O seu modelo de negócio planejado para os próximos cinco anos provavelmente não serve mais. No mínimo, ele precisará ser adaptado para o que está por vir. Serão novas formas de consumo muito mais presentes na sociedade, novos comportamentos e novas necessidades – além da mudança na economia. 

Now is a time for companies to step back and reexamine which traditional ways of working exist because of convention, not necessity. ¹

Agora é o momento de revisar esse modelo, especialmente em negócios que estão muito ligados a modelos tradicionais de produção. O homeoffice deixou de ser apenas uma alternativa (incluindo empresas que não o apoiavam, como o Facebook), as necessidades de saúde mental e familiares ganharam importância e as tecnologias e o digital se tornaram fundamentais. É preciso repensar modelos de produção muito tradicionais.

10. Planejar o futuro a longo prazo

Suas ações de hoje vão refletir o futuro do seu negócio – e isso pode parecer clichê. Mas num momento de pós-pandemia, não é. A forma como você vai se relacionar com seus consumidores, a relação que você estabelece com a sua equipe e suas metas de produção vão impactar diretamente no rumo da sua empresa.

Financeiramente falando, esse planejamento é ainda mais importante. Garantir as táticas corretas – alinhadas ao seu branding e ao seu propósito de forma coerente – vai impactar na sustentabilidade financeira da empresa neste período turbulento que está por vir. Por isso, fique atento e de olho nas mudanças.

Todos esses tópicos são apenas previsões. Com a incerteza do momento em que vivemos, são muito passíveis de mudança. Mas, como algumas dessas tendências já estavam se desenvolvendo mesmo antes do covid, é interessante ficar de olho e tentar já se adaptar para melhorar.

Bibliografia (acesso entre 18/04 a 21/04)

  1. How Consumers Want Brands to Communicate During the Pandemic
  2. How Retailers Can Reach Consumers Who Aren’t Spending
  3. Leaders, Do You Have a Clear Vision for the Post-Crisis Future
  4. What Will Work-Life Balance Look Like After the Pandemic
  5. Loja da Hermès na China vende US$ 2,7 milhões em um dia ao reabrir na China
  6. Crise de 1929
  7. Qual é o futuro do consumo?

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