Quem é você além da sua profissão?

Um artigo para dedicado a todos, mas, em especial, às mulheres.

Tudo começa numa escadinha: primeiro você é “a estagiária”: aquela que tá aprendendo, que erra, mas está ávida por aprender. Depois, você passa a ser assistente, deixando de lado o marasmo dos erros e tomando seu lugar de aprendiz. Subindo mais um degrau, você se torna analista. Já toma decisões, já ensina outros estagiários, já tem responsabilidades só suas. Até que você chega na confortável posição de gerente. Soa fácil da sua boca dizer: “sim, sou a gerente de marketing, fulana de tal”. Sua chancela carimbada por seu emprego. Seu nome no mercado. Será mesmo?

Eis que o cargo de gerente me inquietou. Um ano depois de montar minha empresa, tive que preencher um formulário com a seguinte pergunta: “Qual sua profissão?”. Aquilo me pegou. O que responder quando não se é a “gerente-fulana-de-tal”? Poderia dizer: sou a jornalista que sempre fui e dito com orgulho. Embora, na realidade, eu atue mais na publicidade. Ou eu seria webdesigner porque faço sites e outros designs de marca?

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A verdade foi que essa pergunta me levou a sérias reflexões. Afinal, quem você é além do título da sua profissão? Estamos muito acostumadas ~ especialmente no mundo mulheres-modernas-empoderadas ~ a responder sem sombra de dúvidas nossa profissão ao ouvir “Mas, e ae? O que você faz?”.

Quando proclamam essa pergunta, ninguém costuma responder: “olha, eu escrevo cartas à mão, mesmo já existindo e-mail e whatsapp”. Ou “eu cozinho eventualmente com os amigos e sempre uso pimenta-do-reino em tudo”. No mínimo, iam te achar meio maluca. A primeira resposta que vem à cabeça está quase sempre ligada à profissão, ao seu “dever” na sociedade.

O fato é que a gente passa (e faz) inúmeras coisas para viver. Por vezes, somos estudantes, mas também adolescentes tentando descobrir como funciona o mundo – ou melhor, o seu mundo. Podemos ser donas de casa, esposas, mães (e isso dá mais experiência que qualquer cargo de gerência), amigas, irmãs, colegas, tias, artistas, musicistas, voluntárias.

Podemos nos formar em jornalismo, mas ser meio designer; administrar uma empresa, fazer a publicidade pra muita gente e prestar consultoria em vendas. Podemos ainda mudar o percurso ao longo do caminho e estudar gastronomia, abrir um bar, fazer festas e depois largar tudo de mão para cuidar dos filhos. Voltar ao mercado sendo professora e, depois, descobrir sabe fazer as próprias roupas e resolver investir nisso. O que somos e o que fazemos para viver – e nos sentir vivas – vai muito além do título da nossa formação.

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Para construir sua carreira, o foco é imprescindível. Mas é importante mesmo é começar, ter interesse pelo aprendizado de qualquer coisa que instigue a sua vida e aproveitar as oportunidades que surgem ao longo da sua carreira. Se especializar e buscar sempre estudar é óbvio, mas é preciso lembrar que “o que você faz da vida” vai muito além do título do seu diploma.

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